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Quinta-feira, Abril 24, 2008

55.000 Visitas neste blog

Que rico número.

Fico contente por este espaço ter despertado tanto interesse,

Efectivamente não esperava que algo que foi criado com a intenção de partilhar relatos de actividades de ar livre sozinho e/ou com amigos se viesse a converter em algo assim concorrido.

Quero agradecer aos visitantes o interesse demonstrado e esperar que continue a ter a inspiração necessária para continuar a cativar a vossa atenção.

Muito obrigado,

David Monteiro

Segunda-feira, Abril 21, 2008

Do Embalse de Cavallers ao Refúgio Ventosa i Calvell, Espanha

A paixão pela montanha muitas vezes confunde-nos, deixa-nos sem saber o que é que realmente gostamos, para onde ir ou o que fazer a seguir. De tanto olhar para cima perdemos o que está aqui em baixo.

Do alto dos cumes vemos trilhos que parecem fios espalhados em mantos verdes, de tão alto dificilmente podemos sentir a tranquilidade que esses trilhos nos transmitem quando ali palmilhamos o seu ziguezaguear.

Há um trilho em especial que me inspira essa tranquilidade. Não pela sua imensa beleza mas talvez mais pelo impacto da sua amplitude, refiro-me ao trilho que vai do Embalse de Cavallers (1780m) ao Refúgio Ventosoa i Calvell (2220m).

O trilho começa no Embalse de Cavallers, ao chegarmos à parede da barragem, do seu lado direito é evidente o trilho que irá seguir junto à linha de água.

A paisagem é ampla de azul e cinza, a água parece não acabar mesmo quando sabemos que à nossa frente só nos espera ter que vencer o desnível que nos levará ao dito refúgio.

À medida que vamos andando a subida vai-se tornando evidente, tal como o ruído das cascatas também vai assinalando o declive que nos espera.

Olhamos as quedas de água e esquecemos o cansaço, ficamos embriagados com a beleza em que nos encontramos.

Quem nunca aqui esteve não tem a consciência do que significa estar a entrar no Parque Nacional de Aigüestortes, não tem ”ainda” a consciência que esse estado de embriaguez será uma constante durante os dias que aí permanecer.

Quem tem a sorte de alcançar o Refúgio Ventosa i Calvell já ao anoitecer, guarda virgem a paisagem onde está inserido para que ao amanhecer do dia seguinte possa ter impressionante visão. O amanhecer sobre o Lago Negro.

O percurso pode ser feito em aproximadamente 02:30 mas aconselho vivamente a não ter pressa … não vale a pena.


David Monteiro

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Garganta del Oso, Candelario, Espanha

A cerca de 450Km de Lisboa e a 75Km de Salamanca, encontra-se a vila de Candelário.

Uma vila fantástica com um aspecto de vila medieval mas cujas construções que lhe dão esse aspecto datam do século XVI sendo que a sua igreja, essa sim, datará do século XII.

É um local admirável por muitos motivos entre os quais a panóplia de actividades que é possível fazer a partir desse mesmo local.

Um dos percursos que me gostava de deter agora é a Garganta do Urso, um percurso de ida-e-volta com cerca de 9km’s com um desnível acumulado de 400m, um percurso acessível ao mais comum dos mortais.

Ao chegarmos a Candelário, a serra de Bejar e Candelario dão-nos a boa sensação de estarmos em pleno ambiente do montanheiro, e com muita razão. No Invernos as vertentes da serra são brancas e o trekking invernal convidativo.

Mas essas rotas já foram amplamente descritas aqui e não me vou demorar a repetir-me.

A Garganta do Urso (Gargante del Oso) é um percurso para ser feito preferencialmente com bom tempo, inclusivamente com calor.

A maioria do percurso é feito sob a sombra de copas altas, à excepção de um troço de cerca de 2 km que são feitos num estradão sem qualquer sombra.

O percurso tem o seu início no Parque Florestal de Monte Mário a que se acede por uma estrada que sai de Bejar e passa pela “Iglesia del Pilar”.

O Parque Florestal de Monte Mário assemelha-se bastante ao Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, mas substancialmente mais pequeno.

Aí encontramos as indicações deste percurso infelizmente mal marcado.

Se temos a sorte, ou a perspicácia de encontrar o caminho certo, chegaremos a um magnífico conjunto de cascatas que são alimentadas pela abundante água que resulta do degelo das neves da serra. A terra ensopada durante um Inverno inteiro alimenta estas cascatas até aos dias mais quentes de Verão, até que no Outono novas chuvas vêm repor o caudal entretanto perdido.

Mas todo o percurso vale a pena. Passamos por pontes de madeira e cascatas ruidosas encaixadas entre rocha e raízes de árvores.

A meio do percurso há uma mina de água a que chamam “Fuente de los Pinos”. Aqui a paragem é obrigatória e a água fresca é um “must”.

Vão por mim … vale mesmo a pena.

Divirtam-se,
David Monteiro